Hospital São Paulo Suspende Tratamentos de Hemodiálise por Falta de Materiais

Hospital São Paulo Suspende Tratamentos de Hemodiálise por Falta de Materiais

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O Hospital São Paulo suspendeu tratamentos de hemodiálise por conta da falta de materiais básicos. O departamento de nefrologia, que costumava receber uma média de 33 pacientes por dia, agora está com leitos vazios, salas desativadas e máquinas paradas nos corredores. O Bom Dia São Paulo registrou a situação com uma câmera escondida na tarde desta quinta-feira (27).

Profissionais do hospital, que pediram para não ser identificados, confirmaram que faz mais de dois dias que não contam com capilares – uma espécie de tubo que desempenha a função do rim deficiente no organismo dos pacientes. Sem material e, consequentemente, sem pacientes, funcionários ficam com menos trabalho e alguns foram até deslocados para outros setores.

Os funcionários ouvidos pela reportagem disseram que há menos de dez capilares disponíveis para todo o hospital e que o material restante está sendo guardado para casos de emergência, de vida ou morte. Os pacientes com quadros menos graves acabam encaminhados para o pronto-socorro, onde recebem medicamentos para controlar o potássio e o acúmulo de água no corpo.

Pacientes que dependem do tratamento e o fazem no hospital estão, então, desamparados. A especialista Leda Lotaif explica o risco que eles correm sem o atendimento: “Vão acumular toxinas no sangue pela falta de diálise”. O Hospital São Paulo garante que os procedimentos serão retomados nesta sexta (28) com a chegada dos insumos.

Crise financeira

O Hospital São Paulo pertence à Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp) e enfrenta uma crise financeira desde o ano passado, como o G1 já mostrou em outras reportagens. No ápice da crise na unidade, faltavam até luvas e esparadrapos no pronto-socorro. As internações eletivas (agendadas) também foram suspensas no último mês de março devido à falta de recursos.

A receita anual do Hospital São Paulo é de R$ 568,9 milhões, sendo 47,8% do orçamento federal, 31% do convênio com o SUS, 9,1% do orçamento estadual, 7,3% do Ministério da Educação – já que se trata de um hospital universitário – e o restante oriundo de outras fontes. As despesas, porém, são maiores: giram em torno de R$ 603,5 milhões, resultando em um déficit de R$ 34,6 milhões por ano.

Conselho Gestor do hospital pede um reajuste de R$ 1,5 milhão por mês ao Ministério da Saúde para diminuir o prejuízo. As contas estão no vermelho há pelo menos cinco anos. A administração da unidade também sugeriu que a Prefeitura de São Paulo colaborasse com recursos, além de apenas fornecer pacientes.

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, já afirmou, entretanto, que não vai conceder reajustes no subsídio pago atualmente ao Hospital São Paulo. Ele criticou a gestão da unidade, que gasta quase metade do que recebe com o quadro de funcionários. “Eles precisam fazer a lição de casa, cumprir sua obrigação, enxugar a máquina e usar o dinheiro para colocar a saúde na porta da população”, disse em entrevista concedida em abril.

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