Prêmio Nobel de medicina é concedido aos pioneiros da imunoterapia contra câncer

Dois pesquisadores especializados em câncer receberam o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2018 pela descoberta de como o sistema imunitário pode ser aproveitado para atacar as células tumorais, o que criou a imunoterapia com inibidores de checkpoint.

 

 

 

 

James P. Allison, Ph.D., da University of Texas MD Anderson Cancer Center em Houston e Dr. Tasuku Honjo, da Kyōto Daigaku, no Japão, compartilharam o prestigiado prêmio.

 

 

 

 

“Há mais de 100 anos os cientistas tentaram engajar o sistema imunitário na luta contra o câncer. Até as descobertas seminais feitas pelos dois laureados, o progresso em termos de utilização clínica foi modesto. A imunoterapia com inibidores de checkpoint agora revolucionou o tratamento de câncer e modificou fundamentalmente a nossa forma de ver como o câncer pode ser tratado”, disse a organização do Nobel em um comunicado.

 

O nascimento da imunoterapia contra o câncer

Durante a década de 1990, em seu laboratório na University of California, em Berkeley, Allison foi um dos vários cientistas que descobriram que a proteína 4 associada ao linfócito T citotóxico (CTLA-4, do inglês Cytotoxic T-Lymphocyte-Associated Protein 4) funciona como freio para as células T. Outras equipes de pesquisa exploraram o mecanismo como alvo para o tratamento das doenças autoimunes. Mas Allison tinha outras intenções.

Tendo criado um anticorpo que se liga à CTLA-4 e bloqueia a sua função, o pesquisador começou a investigar se o bloqueio da CTLA-4 poderia soltar o freio das células T e estimular o sistema imunitário a atacar as células tumorais. A equipe de Allison realizou as primeiras experiências no final de 1994, e os resultados foram “espetaculares”, disseram os organizadores do Prêmio Nobel. Camundongos com câncer foram curados com um agente anti-CTLA-4.

Resultados clínicos promissores logo se seguiram em vários grupos e, em 2010, um ensaio clínico fundamental demonstrou efeitos expressivos em pacientes com melanoma avançado.

“Em vários pacientes os sinais remanescentes de câncer desapareceram. Esses resultados extraordinários nunca tinham sido observados antes nesse grupo de pacientes”, disseram os organizadores do Prêmio Nobel.

Em 1992, o Dr. Honjo descobriu a proteína de morte celular programada 1 (PD-1, do inglês Programmed Cell Death Protein 1), outra proteína expressa na superfície das células T. Em uma série de experimentos, Dr. Honjo demonstrou que a PD-1 (como a CTLA-4) também age como freio para as células T, mas opera por meio de um mecanismo diferente.

Em 2012, um estudo de aprovação demonstrou clara eficácia no tratamento de pacientes com diferentes tipos de câncer.

“Os resultados foram fabulosos, levando à remissão prolongada e à possível cura de vários pacientes com câncer metastático, doença que anteriormente era considerada essencialmente intratável”, disseram os organizadores do prêmio.

 

O trabalho pioneiro de Allison e do Dr. Honjo sobre a imunoterapia com inibidores de checkpoint levou ao desenvolvimento de vários medicamentos, como o ipilimumabe, o primeiro dos inibidores de checkpoint e os inibidores de PD-1 nivolumabe e pembrolizumabe.

 

Atualmente, há um grande número de ensaios clínicos sobre a imunoterapia com inibidores de checkpoint já em andamento, contra a maioria dos tumores, e novas proteínas de checkpoint estão sendo testadas como alvo.

Em 2013, a imunologia neoplásica foi escolhida como a descoberta do ano pelos editores da Science, o periódico oficial da American Association for the Advancement of Sciencecomo noticiado pelo Medscape.

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