Medicamento para diabete

Saude Brasileiros

Medicamento para diabetes reduz em 13% o risco de morte cardiovascular

Mônica Tarantino (*), de New Orleans

Benefício do liraglutida foi comprovado por estudo que envolveu mais de 9 mil participantes em 32 países. Medicamento já foi aprovado para diabetes no Brasil

 

Uma das maiores preocupações dos médicos que tratam do diabetes é proteger o paciente das possíveis complicações cardiovasculares da doença. Na tarde desta segunda (12), profissionais de todo o mundo reunidos no 76th Congresso da Associação Americana de Diabetes, em New Orleans (EUA), viram apresentações de estudos mostrando que o liraglutida, medicamento conhecido e disponível para baixar a glicose, pode ajudar a evitar complicações do coração. Trata-se da principal causa de internações e morte dos diabéticos.

Nos estudos, o liraglutida se revelou eficaz em diminuir o risco de ataque cardíaco ou morte em pacientes de diabetes tipo 2 (adquirida) de alto risco para doença cardiovascular. Nos voluntários da pesquisa, o risco de morte cardiovascular foi reduzido em 13%. O composto discutido em New Orleans tem o nome comercial de Victoza e é fabricado pela Novo Nordisk, empresa com sede na Dinamarca. O medicamento já está disponível em vários países, inclusive no Brasil.

O liraglutida é uma substância para controle das taxas de glicose no organismo e que também leva à perda de peso. Sua ação principal ocorre no intestino, onde inibe a ação do hormônio GLP-1, prolongando a sensação de saciedade. Ele é usado por pessoas com diabetes tipo 2 que têm dificuldade em controlar os níveis de glicose no sangue com dieta, exercícios e ajustes no estilo de vida. Recentemente, foi liberado também contra a obesidade.

“O que se viu é que a substância não só não faz mal como também protege o coração dos diabéticos. E é uma notícia excelente”, disse à Saúde!Brasileiros a endocrinologista Rosângela Rea, coordenadora do braço da pesquisa realizado no Brasil que envolveu 700 pacientes. 

Segundo o cardiologista Francisco Saraiva, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (SP) e um dos pesquisadores do estudo, o efeito protetor da substância abre um novo campo de ação para os especialistas. “Até recentemente, não tínhamos um medicamento que reduzisse a glicose e protegesse o coração”.

O efeito cardioprotetor do composto foi inesperado. O objetivo principal do estudo era confirmar sua segurança e avaliar se o remédio não fazia mal ao coração e às artérias. Isso porque desde 2008, por exigência do FDA (a agência reguladora de medicamentos americana), fabricantes devem comprovar que seus medicamentos para o diabetes não agravam doenças do coração.

A medida foi adotada depois que um dos medicamentos disponíveis para tratamento da doença foi retirado do mercado por aumentar os riscos para o coração. No ano passado, outro medicamento mais recente contra o diabetes, a dapaglifazina, também comprovou seus efeitos cardioprotetores. “Essa geração de medicamentos com impacto cardioprotetor melhora as perspectivas do tratamento”, diz a endocrinologista Maria Fernanda Barca, de São Paulo.

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 Remédio comprovou eficácia para proteger o coração. Foto: Ingimage

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